Tribunais dão razão<br>a quem resiste

O Tribunal de Trabalho de Matosinhos decidiu anular a suspensão de doze dias, com perda de remuneração, aplicada pela Petrogal (Grupo Galp Energia) a José Santos, trabalhador da Refinaria de Matosinhos, dirigente do SITE Norte e da Fiequimetal/CGTP-IN e também membro da CT, a propósito da greve de Abril de 2010. O sindicato e a federação revelaram sexta-feira que, por sentença de 20 de Março, a empresa foi condenada a pagar uma indemnização de mais de 32 mil euros, para além dos valores descontados.
A administração da Petrogal, acusa a federação, «apesar de repetidamente condenada pelos tribunais, persiste num caminho reiteradamente ao arrepio da lei» e «ensaiou, já no início de 2013, mais uma manobra ofensiva e incompreensível de tentar pôr em causa o direito constitucional à greve, aproveitando os confortáveis recursos da empresa para honorários aos seus consultores jurídicos».

O SITE Sul, igualmente da Fiequimetal/CGTP-IN, divulgou na segunda-feira uma série de casos, no distrito de Setúbal, comprovando que valeu a pena lutar contra a precariedade.

A SN Seixal, em Paio Pires, teve que readmitir um trabalhador, depois de lhe ter comunicado o fim do contrato a termo, porque a justificação deste não cumpria a exigência legal.

Dois trabalhadores da SAS, no Parque Industrial da Autoeuropa, passaram a efectivos, no mês de Janeiro, por terem mais de 36 meses de precariedade, entre contrato a termo certo e contrato de trabalho temporário. A razão do sindicato foi reconhecida pela empresa antes que o caso chegasse a tribunal.

O Tribunal de Trabalho de Setúbal mandou reintegrar um trabalhador da Peguform, também no Parque da Autoeuropa. Fora despedido Abril de 2012, ao fim de sete meses de contrato a termo, cuja fundamentação foi declarada genérica e insuficiente.

Em Palmela, a Continental Teves despediu uma trabalhadora que tinha estado 17 meses com contrato temporário, justificado com «acréscimo de produção». Por sentença de 25 de Fevereiro, o Tribunal de Trabalho de Setúbal deu o contrato como ilegal e determinou a integração na empresa utilizadora, tendo a trabalhadora optado por uma indemnização.

Para evitar a condenação em tribunal, a Morgado & Amado, do sector automóvel, em Almada, pagou uma indemnização a um trabalhador que foi despedido, no fim de um contrato a termo de seis meses. A «regularização de atrasos» não foi reconhecida como justificação válida pelo Tribunal de Trabalho.

A V Lucas, do sector de venda de combustíveis, em Almada, pagou uma indemnização a uma trabalhadora, que entendeu não regressar ao seu posto de trabalho, depois de ter sido despedida. Para a admissão a prazo, a empresa tinha alegado «início de actividade», por ter adquirido a concessão de uma bomba de gasolina, mas esta estava em funcionamento há mais de 15 anos. O tribunal não aceitou a justificação.




Mais artigos de: Trabalhadores

Com o pé firme na luta

Com o desemprego elevado e a crescer, com a precariedade a destruir a autonomia e os sonhos, a manifestação nacional da juventude trabalhadora trouxe para as ruas de Lisboa, no dia 27 de Março, a exigência de trabalho e direitos, que só outra política e outro Governo poderão satisfazer, mostrando alegria e confiança assentes na acção e na luta de todos.

Marcha parte no sábado

Arranca no sábado a «Marcha contra o empobrecimento – Mudar de política e de Governo», organizada pela CGTP-IN e que percorrerá o País, terminando em Lisboa, no dia 13, com uma grande manifestação.

Funções na Constituição

No dia do 37.º aniversário da promulgação da Lei fundamental, a CGTP-IN entregou à presidente do parlamento uma petição, com 89 052 assinaturas, «Em defesa das funções sociais do Estado consagradas na Constituição da República».

Negociar com a força da luta

Suspensas as greves na CP, CP Carga, EMEF e Refer, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário quer «transportar a dinâmica da luta para a mesa de negociação».

Centenário

Numa sessão pública, hoje, ao fim da tarde, na sua sede, a CGTP-IN vai apresentar as iniciativas que decidiu promover, no âmbito das comemorações do centenário do nascimento de Álvaro Cunhal. A central «releva o destacado papel que esta ilustre personalidade teve na...

Nacionalização da banca

A assinalar os 38 anos da nacionalização da banca e dos seguros, o Sindicato dos Trabalhadores da Actividade Financeira evocou também as três décadas decorridas desde a reabertura à iniciativa privada. Para o Sintaf/CGTP-IN, «a nacionalização da banca volta...